Fala Gabriel!

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Marcamos a entrevista exclusiva para às 16h da segunda (20) – dia da final em Portugal. Gabriel Medina avisou que desceria logo e assim o fez. Conversamos por meia hora em seu hotel enquanto rolavam as semifinais. Jaime Medina, tio e empresário, acompanhava a competição pelo celular e nos atualizava. Estávamos todos torcendo contra Mick Fanning – maior ameaça de Gabriel na corrida pelo título.

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Veja agora algumas das melhores partes do nosso encontro. 

Vivian Mesquita: Você saiu nitidamente chateado da praia, como qualquer pessoa sairia naquele momento. Depois que você deixou a bateria, foi esfriar a cabeça, era um momento difícil, e você voltou para atender teus fãs, a mídia, para falar com todo mundo. Como foi esse instante? Vimos que você chegou emocionado, se segurando para falar com todo mundo, querendo, precisando falar, mas deve ter sido difícil administrar esse momento.
Gabriel Medina: É, eu fiquei triste com a derrota e vim pro hotel, tomar um banho. Conversei com a minha mãe e meu pai, tranquilo, como um dia qualquer. Competição é assim… já vivi momentos bons, momentos ruins. Eu escolhi essa vida competitiva, e é assim que tem que ser. Depois  tive que voltar e atender a todos, porque saí rápido depois da minha bateria. E foi isso, foi triste mas foi tranquilo.

VM: Gabriel, a pressão é gigante em cima de você. Tem uma campanha #vaimedina que ultrapassou a barreira do surfe, tocou outros esportes, artistas, amigos, gente da mídia. O Brasil inteiro só fala de você. Você foi a programas que pouquíssimos surfistas participaram. Hoje a avó de qualquer um sabe quem é o Gabriel Medina. É muita pressão. Você consegue ficar sozinho pra assistir, por exemplo, um filme de surf deitado no sofá da sua casa?
GM: É, tem uma galera torcendo por mim, eu tenho visto essa campanha #vaimedina, tenho visto fotos no Instagram e tudo mais, desejando boa sorte. Isso é legal pro surfe, que era pequeno e está crescendo a cada dia que passa. Claro, o que aconteceu comigo este ano também ajudou muito a dar visibilidade pro surfe no Brasil. Não só no Brasil, como nos outros lugares.

Eu tive bastante suporte em todos os lugares onde fui. Esse ano nos Estados Unidos, que era o lugar em que eu tinha menos apoio, um monte de gente veio falar comigo, dar os parabéns, desejar boa sorte. A cada ano que passa vai aumentando e eu acho que é legal ter esse espaço, ter essa galera torcendo. Hoje a gente tem, acho que o esporte número 1 do mundo é o futebol, vai continuar sendo, mas o surfe está crescendo. Tem sido legal pro esporte  o que tem acontecido.

VM: Mas você não sente falta de ficar um pouco sozinho?
GM: Às vezes é bom ficar sozinho. Eu consigo ficar sozinho. Em casa é o lugar em que me sinto melhor porque posso surfar em frente de casa, não tem ninguém. Quando volto, tem os meus cachorros e brinco com eles. Se quero assistir qualquer coisa, ligo a TV e fico ali na minha. Acho que em casa é onde me sinto melhor, tenho meu espaço.

VM: Lá em Maresias já deve estar difícil, né? Saindo do portão, já deve vir alguém falar contigo.
GM:
Maresias é uma cidade pequena, né, e eu conheço todo mundo. Não sei… é que eles são meus amigos, então não ficam falando… eles ficam impressionados com minha performance. “Nossa, você passou na Globo, na ESPN, passou em vários lugares”. São meus amigos, não ficam tirando foto, pedindo autógrafo. Sai naturalmente, tipo a gente está num bar, aí tira foto, essas coisas… Conheço todo mundo em Maresias. Lá é meu espaço mesmo, meu lugar.

Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

VM: “Maresias é uma cidade pequena”, como você diz… Mas você já é bem grande, ultrapassou várias fronteiras, é essa “tsunami” como muitos falam… Você e Neymar são amigos
GM: Ahan. Conheço ele. Estive em Barcelona (Espanha) agora, na casa dele. Jogamos uma partida de pôquer, perdi… e a gente conversa, a gente é amigo.

VM: Você tem noção de quantas pessoas queriam ser amigas do Neymar? O surfe te levou pra isso?
GM: Muito doido isso. Não sei… a vida que eu tenho, o que estou vivendo agora é isso. Estou viajando para os melhores lugares do mundo, conhecendo várias pessoas, famosas, e não famosas, até ídolos meus. Não sei, é engraçado, né, porque você via os caras na TV, na revista e hoje você está ali, sei lá, brincando, falando de coisas. É maneiro, é legal, gosto de conhecer pessoas, gosto de conhecer lugares e é isso que estou vivendo hoje.

VM: Tem uma foto de vocês dois que é marcante e que não podemos deixar de comentar: a da troca de camisetas.   É uma baita honra! Tenho certeza que o Neymar estava de olho nesse campeonato, torcendo muito por você. É muito legal isso, ainda mais no país do futebol.
GM: É muito legal, pô. Ele me desejou boa sorte antes de começar aqui, a gente teve essa troca de camisa e, pô… é irado, né? Apesar da idade, de ser muito novo, ele já alcançou muito sucesso na vida. Então é maneiro ter essas amizades, servem de inspiração.

VM: Quando você está sozinho, e consegue ter esse tempo para si mesmo, você fica pensando no título? Isso fica na sua cabeça, ou ela viaja e você pensa em outras coisas? Isso faz parte do seu dia a dia?
GM: Não, quando eu estou na bateria penso em mim, penso em fazer o meu melhor ali, independente do que está acontecendo fora. Seja com a mídia, com celebridades, ou amigos torcendo por mim. Eu penso no meu trabalho ali, em fazer o meu melhor em toda bateria.

VM: Digo quando você está sozinho, relaxando, na sua casa, você está lá assistindo seu filme de surfe, fica essa coisa, “campeão do mundo, campeão do mundo”, ou faz parte do trabalho?
GM: Não, eu nem penso muito. Às vezes a gente comenta, eu e meu pai, quando estou com meu tio também, a gente dá uma comentada, mas também: se não for esse ano, tudo bem. Tenho 20 anos, vários anos para tentar. Claro, estou muito perto agora, não vou desistir, nem ferrando! Farei o que puder agora pra levar esse título, mas sem pressão. Estou vivendo meu sonho e quero aproveitar.

VM: Gabriel, competição e surfe, qual a diferença pra você?
GM: O surfe eu considero quando você está ali sozinho, acho que você aproveita mais, pega um monte de onda, você pode cair, pode se divertir, pode fazer o que quiser. Na competição não, tem um “surfe competição”. Você tem que se concentrar em pegar suas duas melhores ondas nos 30 minutos e tem que dar o seu melhor. Não pode cair, não pode errar e acho que é um surfe mais pressão. Não pode errar. No surfe é mais tranquilo porque é o surfe mesmo.

VM: Mas no melhor sentido agora, muitas vezes a gente te vê surfar competindo e é isso que impressiona as pessoas.
GM: Eu tento me divertir sempre que estou na água, independente de ser bateria ou não, estou arriscando, estou tentando e é esse o jeito que eu gosto de surfar. Foi assim que eu cheguei até aqui, então tenho que continuar.

VM: Sobre o Havaí… Vamos supor que este seja o momento em que estou te entrevistando já com seu título na mão. Qual a primeira coisa que gostaria de fazer depois de conquistar esse título?
GM: Eu quero abraçar o meu pai, Charles, minha mãe (Simone), minha família toda. Quero dar só um abraço neles, um por um. E espero que Deus esteja orgulhoso.

VM: #vaimedina
GM: Vai Medina!

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Fotos: Diego Sanches (destaque); Reprodução/Instagram

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