Gabriel Medina: Eu sonho com isso desde os 13 anos

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[intro-text size=”25px”]Gabriel Medina Pinto Ferreira. Este é o nome completo de um jovem fenômeno do surfe brasileiro. Um menino tímido de 20 anos de idade que fez uma onda de Maresias virar tsunami mundial.[/intro-text][divider type=”thin”]

[dropcap]M[/dropcap]aresias é onde ele nasceu, a praia que fica no litoral norte de São Paulo é a mais famosa do Brasil para quem sonha em pegar ondas de qualidade.

charles_fotaoDe origem simples, Gabriel cresceu rodeado por essas ondas. O talento nelas foi descoberto pelo padrasto e técnico Charles Rodrigues (foto, à esq.) num dia qualquer em família, mas que foi o dia onde tudo começou…

“Eu lembro de um episódio, eu estava na praia com a Simone, ele tinha uns 9 anos de idade e caiu no mar com a minha prancha. Ali  eu vi que ele tinha um jeito pro surf, um talento natural, só do jeito que ele subia na prancha mesmo”- relembra Charles.

A família é sagrada para o menino que aos 3 anos de idade se preocupava em ajudar a mãe no sustento de casa. “ Eu cheguei a catar latinha uma vez,  eu queria ter o meu dinheiro, alguma coisa para ajudar a minha mãe”, conta Gabriel.

E quando fala da mãe, Simone Medina, não tem como esconder a emoção. Com lágrimas nos olhos em uma entrevista que fiz com ele este ano disse: “Quando falo da minha mãe não tenho como não me emocionar, o que ela fez por mim… (Gabriel começa a chorar) não tenho como agradecer… agradeço a Deus que me deu uma mãe maravilhosa.”

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Areia, água salgada e uma família muito cuidadosa. Gabriel poderia ser surfista profissional com uma única condição: terminar o colégio. “Ele terminou o colegial aos 16 anos porque sabia que tinha que se formar para ir correr lá na ASP. Eu dizia você vai, tudo bem, mas vai ter que terminar a escola. Ele correu com isso, se dedicou, trabalhou muito mais que meninos na idade dele que iam todos os dias para a escola. Ele leu mais livros, estudou de madrugada, foi fazer prova na diretoria, correu atrás e terminou. Daí ele me falou, era isso que a senhora queria? Tá aqui! Daí eu disse tudo bem, agora vai e segue teu caminho. Vai realizar o seu sonho porque o meu você já realizou” – lembra Simone Medina.

Aos 15 anos Gabriel se profissionalizou e no mesmo ano conquistou uma etapa da segunda divisão do mundial de surf, o WQS. Dois anos depois, em 2011, Medina estreava na elite dos 36 melhores surfistas. Entrou “no meio” da temporada e ainda teve tempo para vencer duas etapas: França e San Francisco (EUA), uma prévia do que estava por vir. “É meu objetivo ser campeão mundial, eu tenho isso desde os 13 anos de idade, eu sempre quis ser campeão mundial e eu não sei como vou lidar se um dia isso acontecer na minha vida” – disse Gabriel numa entrevista que gravamos no começo desse ano.

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Este ano Gabriel Medina conquitou a 1ª. etapa do circuito na Gold Coast australiana onde nenhum brasileiro havia vencido. Meses depois foi campeão em Fiji e voltou a vencer nas temidas onda de Teahupoo, no Tahiti. Em Portugal, penúltima etapa do circuito ele teve a chance de antecipar o momento de glória, mas lá aconteceu o improvável. Gabriel se despediu cedo da competição.

Havaí! Última e mais aguardada etapa do calendário. Pipeline pode coroar pela primeira vez um brasileiro. Tímido, reservado e tranquilo, o surfista de Maresias manteve a mesma postura durante todo o ano: humildade e preocupação em construir os resultados, que vieram rápido. E com eles vieram a fama, o dinheiro e mais: a semente de um tipo raro de celebridade esportiva que não vem da bola.

A batalha decisiva de Gabriel Medina pelo título mundial foi deflagrada e causou nos brasileiros – de maneira geral -, aquela mesma sensação e comoção da era Guga Kuerten . Assim como fomos especialistas no tênis, agora somos milhões de “entendidos” do surf, criando uma onda que corro o mundo tudo em uníssono: vai Medina!

 

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