Maravilhosa Elke Maravilha, obrigada!

elkemaravilha

Elke Maravilha morreu! Eu estava dirigindo quando ouvi a notícia na CBN. Parei o carro.

Aquela mulher representava o que havia de mais transgressor, esquisito e até bizarro na minha infância. Esperava ansiosa para ver qual roupa, qual penteado e quem ela abraçaria no programa do Chacrinha, criança! Aquilo era sensacional! Admirava a atriz e modelo em silêncio – pra quem já era “meio” bizarra também, ser fã de Elke era bizarrice demais, rs!

2004. Segunda edição dos X Games Latino Americanos no Rio de Janeiro, Aterro do Flamengo. Faltava pouco mais de meia hora para a edição AO VIVO do programa Ação Compacto que eu ancorava de lá. Falei para a equipe de produção…

Temos tempo, vou ali do outro lado da avenida sacar dinheiro, volto já.”

Quinze minutos depois eu voltava com Elke Maravilha a tiracolo !!! Confesso sem frescura que é uma característica que me orgulho bastante – esse meu “vou ali e já volto” quase sempre tem uma surpresinha. Baita sorte a minha de quase todas a vezes encontrar alguém interessante de última hora para uma entrevista –  mas essa é outra história…

Eu estava saindo do caixa quando nos esbarramos na porta giratória. Girei duas vezes e voltei imediatamente para dentro do banco quando vi aquela mulher enorme e loura, muito loura! Era ela, “a mulher maluca da televisão” da minha infância! Girei de novo e esperei Elke na porta ao lado de fora. Na época eu nem usava a camiseta de repórter da ESPN e torci para Elke não pensar que era uma trombadinha.

Um motorista de táxi – com o motor já ligado -, esperava pela atriz. Não vacilei.

“Oi Elke! Sou sua fã a vida toda, muito prazer. Você pode me dar uma entrevista ali do outro lado da avenida na praia, sou da ESPN?”

“Claro Criança! Sobre o que mesmo?”…

“Sobre esportes radicais. É ao vivo daqui uns 10 minutinhos, mas você tira de letra. Bora?”

Ela foi!

Elke gentilmente pediu ao motorista que esperasse por ela, era uma dama. Enquanto atravessávamos a avenida ela perguntava sobre os X Games e os esportes. Em dois minutos de conversa já era uma especialista.

 

Ficamos encantados com a maravilhosa Elke e aquele sorriso gigante e gentil. Ela nos disse que estava tirando dinheiro e seguindo para o aeroporto, ia viajar para New York naquela tarde. Apesar disso parou para atender a uma repórter maluquinha e emprestar seu brilho e carisma. A Elke que eu via na TV quando criança encontrei ali. Tão real e autêntica como se para ela o tempo fizesse uma curva e passasse mais devagar.

Elke Maravilha morreu aos 71 anos de idade. Hoje pensei nela mais uma vez quando fui destratada injustamente por uma senhora na fila do mercado. Essa coisa de emanar bondade e sorrir com as víceras não tem nada a ver com idade não, é vocação mesmo.

“Crianças: conviver é o grande barato da vida, aproveitem e convivam.” – dizia Elke.

Jamais vou esquecer o maravilhoso sorriso da minha heroína Elke Maravilha, obrigada, obrigada, obrigada! 🙂

 

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