Megalomaníacos, loucos e heróis

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Fotos: Reprodução/Internet

 

1997. O piloto de BMX Mat Hoffman é rebocado para um quarter pipe pela motocicleta de um amigo e voa a uma altura de cinco metros. O desafio de Mat foi o interruptor que acendeu na cabeça do skatista Danny Way, pouco tempo depois, a ideia de construir uma rampa com proporções gigantescas para o skate. Nascia assim a megarrampa (escreve assim mesmo, tudo junto e com dois “erres”).

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(Clique para ver o vídeo de Mat no YouTube. E aqui para o de Danny Way)
 
A sinergia entre esses dois visionários dos esportes de ação – ainda que na época isso não passasse de “maluquice” -, criou um nível “acima” no patamar desses esportes. Lá se vão mais de 15 anos da criação da gigante do skate que ainda hoje conduz o esporte para um infinito de possibilidades, assim como o tow-in de Laird Hamilton nos faz pensar qual o limite para o surfe de alta performance.

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Megalomaníacos, viciados em adrenalina, loucos, aventureiros, sonhadores, profissionais – os adjetivos mudam e pouco definem o que de fato move essa gente feita de nervos de aço. E daí?

“No way”! Grita Danny Way para os médicos em Los Angeles. Com uma costela quebrada, o ombro deslocado e uma séria contusão no tornozelo ele volta para o alto da megarrampa e se lança no drope final da decisão do ouro pelos X Games 2008. Eu estava lá e vi tudo isso de muito perto.

No ano passado ouvi de Maya Gabeira sentada no sofá na casa dela:“Eu teria morrido feliz…”. Em quatro palavras a surfista de ondas grandes resumia para mim seu sentimento ao ter sido salva desacordada no mar – depois de uma queda na maior onda de sua vida (em Nazaré, Portugal, em 2013). Vocês lembram dessa história…

image_homepage_heroHá quase 50 anos o piloto Bruce Mclaren disse: “fazer algo bem vale tanto a pena que morrer tentando fazer ainda melhor não pode ser loucura. A vida é medida por realizações e não por anos”.

É próprio do ser humano ir além, ultrapassar limites, a história comprova isso. Para citar apenas dois casos eu recomendo (e até imploro!!!) leiam  “A Incrível viagem de Shackleton” – (Ernest Shackleton parte, em 1914, a bordo do Endurance em direção ao Atlântico Sul para cruzar o continente antártico, passando pelo Pólo Sul. O Endurance fica aprisionado num banco de gelo no mar de Weddell e acaba sendo destruído. Por quase seis meses, Shackleton e sua tripulação sobrevivem em placas de gelo em uma das mais inóspitas regiões do mundo.) e “O Rio da Dúvida” – (A inacreditável aventura do ex-presidente americano Theodore Roosevelt e do então coronel Rondon pelo coração da selva brasileira).

Hoje, alguns dos que protagonizam momentos inacreditáveis em pranchas, motos, montanhas, ondas, podem ser considerados uma versão moderna dos heróis e exploradores do passado – simplesmente porque ousam o inesperado.

Taí o motivo pelo qual os esportes de ação fascinam tanta gente. Isso sem falar nos números, do negócio que essa “paixão” movimenta. Três milhões e oitocentas mil pessoas andam de skate no Brasil. Isso é mais do que toda a população do Uruguai, dá pra imaginar?

A distância entre os sonhos e a realização deles está cada vez mais curta e esse exemplo o esporte de ação ensina para qualquer área da vida pessoal ou profissional. Afinal, viver é correr riscos e o limite para esta audaciosa jornada é só você quem sabe!

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