Quando parar?

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“Estou feliz e aliviado… estava em conflito… como, onde, e quando parar? Agora que tomei minha decisão sinto como se tivesse tirado um peso enorme das minhas costas… estou feliz com a minha decisão”… – Algumas das palavras emocionadas do surfista australiano Taj Burrow ao anunciar esta semana que vai se aposentar do circuito mundial.

Muito coisa mudou desde a sua estréia na elite há 18 anos. Taj pegou as primeiras ondas do mundial em 1996 – com então 17 anos – pelo circuito de acesso WQS. Dono de uma das carreiras mais longas e celebradas – ficou entre os 10 melhores surfistas do mundo de 2001 até 2014 -, especialistas dizem que ninguém tem um surfe tão eletrizante quanto o dele.

Edinho Leite, jornalista especializado em surfe, sempre comentou sobre a “fúria”de Taj. Edinho também o chamava carinhosamente de fanfarrão. Lembro de um Taj animado na praia e nas festas dos eventos, especialmente aqui no Brasil. No Santa Catarina PRO (2004) – etapa do tour vencida por ele -, noooossa… Edinho tem razão, “bota” fanfarrão nisso! Sempre gostei de entrevista-lo, de acompanha-lo… acho que uma parte da alma de Taj Burrow é brasileira.

“Esse esporte me deu muito, anos de ondas incríveis, experiências e amizades que jamais esquecerei… ” – disse o surfista.

A contribuição do australiano para o surfe ultrapassou às ondas, ele liderou a evolução das pranchas de alta performance trabalhando com shapers renomados como Maurice Cole, Ney Hyman e Greg Wenner entre outros. Aos 37 anos e com um pequeno bebê para criar junto à esposa, Taj – me parece -, escolheu um ótimo momento para se aposentar.

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A força e agressividade das manobras da nova geração são um arsenal difícil de vencer. Se até aqui ele não conquistou um título mundial na elite, não deixou tão pouco de ter seu surfe imortalizado como um dos melhores. Nem sempre ser o número 1 torna alguém um influenciador ou inspirador. Saber a hora de trocar de caminho é “parar” uma maneira para começar outra de ser especial naquilo que se faz com paixão. É elegante, maduro e acima de tudo, é uma atitude corajosa – digna de um verdadeiro campeão.

 

*Fotos/WSL – Kirstin

 

 

 

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