Surfe feminino: a onda do coletivo

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No final de março me reuni na Casa Surf em São Paulo para um bate-papo pioneiro sobre a relação da mulher brasileira com os esportes de prancha. O convite feito pela idealizadora da Casa, Paula Veronezi, deixou um embrião para encontros futuros, novas idéias e muita vontade de realizar por parte do grupo que ali estava: Dominik Pupo, surfista profissional, Alessandra Berlinck, ex CEO GSM Brasil, Viviane Matero, atleta de SUP e canoa havaiana, as meninas do longarina.com e a surfista executiva da Revista Trip, Juliana Ruiz, entre outras. Nosso bate-papo vocês verão em breve aqui no blog, prometo, foi certamente o primeiro de uma série que vamos dropar!!!

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A Casa é Delas – Foto: Tiago Brant

Mas foi depois desse encontro que a Domi me convidou para o grupo de whatsapp das brasileiras que vão disputar o QS 1500 Praia do Forte PRO esta semana no município de Mata de São João, litoral norte da Bahia. A competição, válida pelo ranking da segunda divisão da elite – o antigo WQS -, será realizada entre 26 de abril e 01 de maio para o surfe feminino e masculino. Adriano de Souza venceu à etapa do ano passado e Silvana Lima foi campeã entre as meninas.

 

O evento tem recorde de inscritos e certamente será um sucesso, mas não é sobre isso que vamos falar e sim sobre as mais de 30 meninas que conheci um pouco melhor e conversei nesse último mês e meio: Bruna Queiroz, Claudinha Gonçalvez, a própria Domi, Juliana Santos, Kayane Reis, Mariana da Brasil Surf Girls, Marina Rezende, Marina Werneck, Suelen Naraísa, Rayssa Fernandes, Yanca Costa, Pamella Mel, Alana Pacelli, Jessica Bianca, Luana Coutinho, Tininha, e Silvana Lima, para mencionar apenas algumas delas.

Vi ali um grupo de atletas de todos os cantos e ondas do Brasil engajadas com o fortalecimento da categoria. Hoje, quando a surfista brasileira chega aos 16 anos de idade se vê frente a um dilema: sem nenhum evento nacional de projeção para seguir adiante na carreira, é como se os 16 anos fossem uma sentença de morte esportiva. A confirmação do evento da Praia do Forte foi comemorado como mais uma conquista e oportunidade de atrair à atenção. Antes dos títulos mundiais de Gabriel Medina e Adriano de Souza, Silvana Lima era a representante brasileira que havia chegado mais longe na elite. A cearence foi duas vezes vice-campeã do mundo.

As meninas querem a chance de surfar a nova onda do surfe brasileiro carregando um legado que já lhes pertence, e quanto mais, melhor. O grupo passou as duas últimas semanas levantando custos, dividindo tarefas e fazendo contas para garantir a participação de todos os talentos. Fizeram rifa, sorteios na internet e até a famosa “vaquinha”. Foi inspirador assistir ao caminho de união, troca e sintonia que percorreram até esta semana para garantir a onda de cada uma.

A hora chegou e elas já estão por lá. O resultado foi alcançado para a maioria sem mesmo cair na água, estar ali era o objetivo. É por isso que, esta semana, ao acompanhar à competição do feminino estará no mar muito mais do que uma disputa por ondas e notas, serão remadas atrás de oportunidades para o coletivo.Em cada prancha teremos mais do que 2 braços e um par de pernas, será a onda do coletivo! Sabendo disso, eu tinha que compartilhar aqui com vocês, porque dá orgulho o desejo de realizar que essas meninas carregam!

Meninas, boa sorte e boa ondas!:) #ondadocoletivo

*Foto destaque: WSL

 

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