Surfe feminino em ação?

carissamoore
Carissa Moore – Imagem: Cestari/WSL

A temporada 2016 do Mundial de surfe feminino já começou. Pra quem não está muito familiarizado com o circuito, eu explico. Na maioria das etapas homens e mulheres disputam as mesmas ondas, pelo menos em teoria…

O circuito masculino tem 11 etapas e o feminino 10, todas realizadas no mesmo lugar, nas mesmas praias e com a mesma janela de espera de competição. A “pequena” diferença – a grosso modo -,  é que os dias de ondas ruins são dedicados à disputa do feminino e os dias bons, do masculino.

Foi sempre assim e pelo jeito continuará sendo por um tempo ainda. Verdade que muitas meninas encontram mais dificuldades em condições críticas se comparadas aos homens, mas medo de onda grande não distingue gênero.

O surfe profissional de alta performance tem de fato os homens puxando o ritmo e tecnicamente eles estão a frente. Por outro lado o surfe feminino ganha mais e mais praticantes, simpatizantes e seguidoras e as profissionais estão cada vez melhores. O momento é de crescimento, mas…

“Mas” é uma palavrinha que eu uso há 16 anos quando escrevo sobre o surfe feminino. Ainda falta comprometimento com o crescimento da modalidade por parte das entidades e organizadores de eventos. O surfe feminino não é exibido ao vivo, não tem destaque na mídia especializada, não é prioridade nos calendários e cronogramas.

Vocês se lembram de Tita Tavares, Alcione Silva e Silvana Lima para falar apenas em algumas delas? Onde estão essas meninas hoje? Silvana é a primeira surfista em quase 3 décadas de mundial a conquistar a melhor posição para o surfe brasileiro entre homens e mulheres, sabiam? Antes dos títulos mundiais de Gabriel Medina (2014) e Adriano de Souza (2015), a cearence havia sido duas vezes vice-campeã mundial em 2008 e 2009.

Silvana Lima não se cansa de tentar conquistar espaço. Passou mais de 2 anos sem patrocínio e agora se levanta para voltar à elite em 2017. A surfista não cansa de dizer:

“O Brasil ainda vai ter orgulho de mim…”

Fico pensando quando é que a Silvana e outros talentos do esporte brasileiro vão ter orgulho do Brasil…

Na Austrália, Havaí e EUA a realidade é diferente. Tanto que as 17 surfistas da elite são, em sua maioria, dessas ondas aí.

“Mas” a temporada 2016 do mundial de surfe começa sem nenhuma brasileira. Enquanto esperamos pela próxima… vamos prestigiar as garotas.

 

“Fiquei tempo suficiente fora e agora estou pronta para voltar…” – disse Gilmore – em 2015 ela ficou fora do circuito por conta de uma contusão. “Estou tentando não colocar muita pressão em mim mesma no que diz respeito a títulos, quero apenas ter uma boa performance. Tenho treinado pesado e me sinto mais pronta do que nunca, mas também sei que o nível de surfe das meninas nunca esteve tão alto. Eu estou muito empolgada…”

 

 

facebooktwittermail

2 thoughts on “Surfe feminino em ação?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *